Gestão

Fluxo de caixa: o guia prático para pequenas empresas

Lucro no papel não paga boleto. Entenda o que é fluxo de caixa, monte o seu em quatro passos e aprenda a enxergar o aperto antes que ele chegue.

6 min de leitura

Muita empresa pequena fecha o mês com vendas boas e, mesmo assim, atrasa o pagamento de um fornecedor. Não é falta de cliente nem necessariamente prejuízo: é um descompasso entre a data em que o dinheiro entra e a data em que ele precisa sair. É exatamente isso que o fluxo de caixa mostra.

O que é fluxo de caixa

Fluxo de caixa é o registro, em ordem de data, de todo o dinheiro que entra e sai da empresa. Ele responde a uma pergunta simples: quanto vou ter na conta em cada dia, semana ou mês?

Ele tem duas partes:

  • Realizado: o que já aconteceu. Vendas recebidas, contas pagas, transferências feitas. Serve para entender para onde o dinheiro foi.
  • Previsto: o que está agendado. Boletos a vencer, parcelas a receber, folha, impostos. Serve para decidir o que fazer agora.

A parte prevista é a que mais ajuda na gestão, e é a que a maioria das pequenas empresas não tem. O extrato do banco só mostra o realizado.

Fluxo de caixa não é lucro

Lucro é o resultado das vendas menos os custos e despesas de um período, independentemente de quando o dinheiro entrou. Caixa é o dinheiro de fato disponível. Uma venda de R$ 6.000 no cartão parcelado em três vezes entra inteira no faturamento do mês, mas só R$ 2.000 entram no caixa naquele mês. Uma compra grande de estoque sai do caixa hoje, mas vira custo aos poucos, conforme as mercadorias são vendidas.

Por isso uma empresa pode ser lucrativa e ficar sem dinheiro, ou ter dinheiro na conta e estar dando prejuízo. Os dois números são necessários, e um não substitui o outro. Para o resultado do período, o relatório adequado é o DRE; para a saúde do dia a dia, é o fluxo de caixa.

Como montar o seu em quatro passos

1. Comece pelo saldo de hoje

Some o saldo de todas as contas da empresa: bancos, carteiras digitais e o dinheiro em espécie do caixa. Esse é o ponto de partida. Não misture contas pessoais dos sócios: se o dinheiro é da empresa, entra; se é seu, fica de fora.

2. Liste tudo o que vai entrar

Vendas a receber com data prevista, parcelas de cartão, boletos emitidos para clientes, contratos mensais. Use a data em que o dinheiro cai na conta, não a data da venda.

3. Liste tudo o que vai sair

Separe em três grupos para não esquecer nada:

  • Fixas: aluguel, salários, pró-labore, contador, internet, sistemas.
  • Variáveis: fornecedores, mercadorias, comissões, frete, taxas de cartão.
  • Impostos e parcelas: guias mensais, parcelamentos e empréstimos.

4. Calcule o saldo período a período

Para cada semana (ou dia, se o caixa for apertado): saldo anterior + entradas − saídas = saldo final. O saldo final de uma semana é o inicial da seguinte. Pronto: você tem um fluxo de caixa projetado.

Exemplo: o mês que fecha positivo, mas aperta no meio

Uma loja começa novembro com R$ 12.000 na conta. No mês, vai receber R$ 18.000 em vendas à vista e R$ 9.000 de cartões vendidos no mês anterior. Vai pagar R$ 30.500 entre aluguel, folha, impostos e fornecedores. Olhando só o total, o mês termina com R$ 8.500 positivos. Mas veja semana a semana:

SemanaSaldo inicialEntradasSaídasSaldo final
1 (aluguel e fornecedor)12.0004.00010.5005.500
2 (folha e impostos)5.5004.50010.300−300
3 (cartões e fornecedor)−30013.5008.7004.500
44.5005.0001.0008.500

Na segunda semana, o caixa fica R$ 300 negativo. Sem o fluxo de caixa, o dono descobre no dia, entra no cheque especial e paga juros. Com ele, descobre três semanas antes e tem opções baratas: combinar com o fornecedor para pagar a parcela da semana 1 na semana 3, antecipar uma cobrança ou simplesmente segurar uma compra que não é urgente.

Repare também que o saldo caiu de R$ 12.000 para R$ 8.500 no mês. Se isso se repetir, em poucos meses a folga acaba. O fluxo de caixa mostra a tendência, não só a foto.

Erros comuns

  • Usar a data da venda em vez da data do recebimento. Cartão, boleto e venda a prazo levam dias ou semanas para cair.
  • Esquecer despesas que não são mensais: 13º, férias, impostos anuais, renovação de licenças, manutenção de equipamentos.
  • Misturar contas pessoais e da empresa. Retirada do sócio é saída de caixa da empresa e deve ser registrada como tal. Escrevemos um guia sobre como separar as finanças.
  • Projetar com otimismo. Lance como previsto só o que já está combinado. Vendas que você espera fazer ficam de fora, ou entram num cenário separado.
  • Fazer uma vez e abandonar. O fluxo de caixa vale pela atualização. Reserve um horário fixo na semana para conferir.

Quais números acompanhar junto

Com o fluxo de caixa em dia, alguns indicadores ficam fáceis de calcular:

  • Fôlego de caixa: saldo disponível dividido pela despesa média mensal. Diz por quantos meses a empresa aguenta se as entradas pararem.
  • Inadimplência: quanto do que deveria ter entrado está atrasado.
  • Ponto de equilíbrio: quanto é preciso faturar para cobrir os custos. Veja o guia de ponto de equilíbrio.

Planilha ou sistema?

Uma planilha bem feita resolve no começo. O problema aparece com o volume: parcelas que precisam ser copiadas mês a mês, despesas recorrentes esquecidas, fórmulas quebradas e a dificuldade de várias pessoas mexerem no mesmo arquivo. Um sistema faz o mesmo cálculo automaticamente e mantém o previsto atualizado conforme você lança.

Management

Cash flow: a practical guide for small businesses

Profit on paper doesn't pay the bills. Learn what cash flow is, build yours in four steps and spot a cash crunch before it arrives.

5 min read

Plenty of small businesses finish a month with good sales and still pay a supplier late. It isn't a lack of customers, and it isn't necessarily a loss: it's a mismatch between when money comes in and when it has to go out. That's exactly what cash flow shows you.

What cash flow is

Cash flow is a date-ordered record of all the money coming into and going out of the business. It answers one simple question: how much will be in the account on each day, week or month?

It has two parts:

  • Actual: what has already happened. Payments received, bills paid, transfers made. It tells you where the money went.
  • Projected: what's scheduled. Bills coming due, receivables, payroll, taxes. It tells you what to do now.

The projected part is the most useful for running a business, and it's the part most small businesses don't have. A bank statement only shows the actual.

Cash flow is not profit

Profit is sales minus costs and expenses for a period, regardless of when the cash moved. Cash is the money you actually have. A $6,000 sale invoiced on 60-day terms counts as revenue this month, but none of it reaches your account until two months from now. A large inventory purchase leaves your account today, but becomes a cost gradually as the goods are sold.

That's why a business can be profitable and run out of money, or have money in the bank while losing it. You need both numbers, and neither replaces the other. For the period's result, the right report is the income statement; for day-to-day health, it's cash flow.

Build yours in four steps

1. Start with today's balance

Add up the balances of all the business's accounts: banks, digital wallets and cash on hand. That's your starting point. Don't include the owners' personal accounts: if it's the company's money, it's in; if it's yours, it's out.

2. List everything coming in

Receivables with expected dates, card settlements, invoices sent to customers, monthly contracts. Use the date the money lands in your account, not the date of the sale.

3. List everything going out

Split it into three groups so nothing gets missed:

  • Fixed: rent, salaries, owner's pay, accountant, internet, software.
  • Variable: suppliers, inventory, commissions, shipping, card processing fees.
  • Taxes and installments: periodic tax payments, payment plans and loans.

4. Work out the balance period by period

For each week (or each day, if cash is tight): previous balance + money in − money out = ending balance. One week's ending balance is the next week's starting balance. That's a projected cash flow.

Example: a month that ends positive but pinches in the middle

A shop starts November with $12,000 in the bank. During the month it will collect $18,000 in sales paid on the spot and $9,000 from customer invoices issued earlier. It will pay $30,500 in rent, payroll, taxes and suppliers. Looking only at the total, the month ends $8,500 in the black. Now look week by week:

WeekStartInOutEnd
1 (rent and supplier)12,0004,00010,5005,500
2 (payroll and taxes)5,5004,50010,300−300
3 (invoices and supplier)−30013,5008,7004,500
44,5005,0001,0008,500

In week two, cash goes $300 negative. Without a cash flow forecast, the owner finds out on the day, dips into overdraft and pays interest. With one, they find out three weeks earlier and have cheap options: ask the supplier to move the week-one payment to week three, follow up on an invoice early, or hold off on a purchase that isn't urgent.

Notice also that the balance fell from $12,000 to $8,500 over the month. If that keeps happening, the cushion is gone in a few months. Cash flow shows the trend, not just the snapshot.

Common mistakes

  • Using the sale date instead of the payment date. Cards, invoices and credit sales take days or weeks to arrive.
  • Forgetting expenses that aren't monthly: bonuses, vacation pay, annual taxes and fees, license renewals, equipment maintenance.
  • Mixing personal and business accounts. An owner's draw is cash leaving the business and should be recorded as such. We wrote a guide on separating your finances.
  • Forecasting optimistically. Only enter what's already agreed as projected. Sales you hope to make stay out, or go into a separate scenario.
  • Doing it once and walking away. Cash flow is only as good as its last update. Block a fixed time each week to review it.

Numbers to track alongside it

With cash flow up to date, a few indicators become easy to calculate:

  • Cash runway: available cash divided by average monthly expenses. It tells you how many months the business can last if income stops.
  • Late receivables: how much of what should have come in is overdue.
  • Break-even point: how much revenue you need to cover costs. See our break-even guide.

Spreadsheet or software?

A well-built spreadsheet works at first. Problems show up with volume: installments copied month after month, forgotten recurring bills, broken formulas and several people editing the same file. Software does the same math automatically and keeps the projection current as you add entries.