Ponto de equilíbrio: quanto sua empresa precisa faturar por mês
Abaixo de um certo faturamento, a empresa trabalha para pagar as contas e não sobra nada. Veja como calcular esse número, com um exemplo do começo ao fim.
“Quanto preciso vender por mês?” é uma das perguntas mais importantes de quem tem um negócio, e uma das que menos gente sabe responder com precisão. A resposta tem nome: ponto de equilíbrio. É o faturamento em que a empresa não tem lucro nem prejuízo. Tudo o que você vende acima dele começa a virar resultado; tudo o que fica abaixo é prejuízo.
Os dois ingredientes: custos fixos e custos variáveis
Para calcular o ponto de equilíbrio, separe os gastos da empresa em dois grupos:
- Custos e despesas fixos: existem mesmo que você não venda nada no mês. Aluguel, salários, pró-labore, contador, sistemas, internet, seguro.
- Custos variáveis: crescem junto com as vendas. Mercadoria ou matéria-prima, impostos sobre a venda, taxa do cartão, comissão, embalagem, frete pago por pedido.
Os custos variáveis costumam ser calculados como um percentual do preço de venda. Se de cada R$ 100 vendidos R$ 60 vão para mercadoria, impostos, taxas e comissões, o custo variável é de 60%.
Margem de contribuição
O que sobra de cada venda depois dos custos variáveis se chama margem de contribuição. É esse dinheiro que “contribui” para pagar os custos fixos e, depois deles, vira lucro.
No exemplo acima, a margem de contribuição é de 40%: de cada R$ 100 vendidos, R$ 40 ficam para pagar a estrutura.
A fórmula do ponto de equilíbrio
A lógica é direta: você precisa vender o suficiente para que a soma das margens de contribuição pague exatamente os custos fixos.
Exemplo completo
Uma loja tem os seguintes números mensais:
| Custos fixos | R$/mês |
|---|---|
| Aluguel e condomínio | 5.000 |
| Salários e encargos | 9.000 |
| Pró-labore | 4.000 |
| Contador, sistemas, internet e outros | 2.000 |
| Total | 20.000 |
| Custos variáveis | % da venda |
|---|---|
| Mercadoria | 45% |
| Impostos sobre a venda | 6% |
| Taxas de cartão | 3% |
| Comissões | 6% |
| Total | 60% |
Margem de contribuição: 100% − 60% = 40%.
Conferindo: faturando R$ 50.000, os custos variáveis são R$ 30.000 (60%). Sobram R$ 20.000, que pagam exatamente os custos fixos. Lucro zero.
Se a loja faturar R$ 60.000, a margem de contribuição é R$ 24.000. Tirando os R$ 20.000 fixos, o lucro é de R$ 4.000. Se faturar R$ 45.000, a margem é R$ 18.000 e falta R$ 2.000 para fechar as contas.
Em número de vendas
Se o ticket médio da loja é de R$ 125, o ponto de equilíbrio equivale a 50.000 ÷ 125 = 400 vendas por mês. Abrindo 25 dias, são 16 vendas por dia. Esse é um número que dá para acompanhar no balcão.
E para quem presta serviços?
A fórmula é a mesma, mas os números mudam de cara. Em serviços, quase não há mercadoria, então os custos variáveis costumam ser menores e a margem de contribuição, maior. Pense em uma consultoria com R$ 8.000 de custos fixos por mês (pró-labore, sala, sistemas, contador) e custos variáveis de 15% sobre cada nota (impostos e taxas).
Ponto de equilíbrio = 8.000 ÷ 0,85 ≈ R$ 9.400 por mês
Se a hora de trabalho é vendida a R$ 150, são cerca de 63 horas faturáveis por mês só para empatar. Esse número ajuda a responder perguntas práticas: dá para tirar férias em janeiro? Vale aceitar um projeto com desconto? Quantas horas sobram para prospectar clientes?
Margem de segurança
Saber o ponto de equilíbrio permite calcular a sua folga:
Com R$ 60.000 de faturamento, a margem de segurança é (60.000 − 50.000) ÷ 60.000 ≈ 17%. Ou seja: as vendas podem cair até cerca de 17% antes de a loja entrar no prejuízo. Quanto menor esse percentual, mais arriscado fica qualquer mês fraco.
O que fazer quando o ponto de equilíbrio está alto demais
Pela fórmula, só existem três alavancas:
- Reduzir custos fixos. Cada R$ 1 de custo fixo exige R$ 2,50 de venda a mais quando a margem é de 40% (1 ÷ 0,40). Uma contratação de R$ 3.000 por mês sobe o ponto de equilíbrio em R$ 7.500. Vale fazer essa conta antes de qualquer gasto fixo novo.
- Reduzir custos variáveis. Se a loja negociar a mercadoria de 45% para 42%, a margem vai a 43% e o ponto de equilíbrio cai para cerca de R$ 46.500 (20.000 ÷ 0,43).
- Rever o preço. Um preço maior aumenta a margem de contribuição de cada venda, desde que não derrube demais a quantidade vendida. Teste com cuidado e acompanhe o ticket médio.
Cuidados com o cálculo
- Inclua o pró-labore. Se o dono não se paga, o ponto de equilíbrio fica artificialmente baixo e esconde a realidade.
- Use médias de alguns meses para custos que oscilam, como energia ou manutenção.
- Empresas com produtos de margens muito diferentes devem usar a margem média ponderada pelo que realmente vendem. Se a mistura de produtos mudar, o ponto de equilíbrio muda junto.
- Ponto de equilíbrio não é caixa. Atingir o faturamento não garante dinheiro na conta se as vendas forem a prazo. Acompanhe também o fluxo de caixa.
- Considere a sazonalidade. Se o faturamento varia muito ao longo do ano, compare cada mês com o ponto de equilíbrio e use os meses bons para formar o caixa que vai cobrir os fracos.
- Recalcule sempre que mudar aluguel, equipe, fornecedor ou preço.